Hoje se encerra mais um "LIÇÃO DE VIDA".
É um quadro tão especial de fazer, com o único objetivo de fazer você refletir sobre a vida, e o como é bom vive-la bem,
Amando ao próximo, respeitando, enxergando o lado positivo das coisas.
Para encerrar especial, temos Amanda Barbosa. Que assim como a Nelly Antunes, lutou, ela vem lutando contra o CÂNCER DE MAMA INFLAMATÓRIO.
Esta entrevista é para esclarecer sobre este câncer pouco conhecido.
Ela vem estudado muito sobre, e divulgando muito para que várias mulheres entendam do que se trata.
Amanda, quais os sintomas que sentia antes do
diagnóstico?
R:
Antes do diagnóstico meu seio ficou como se fosse uma mastite (leite
empedrado), quente, vermelho, muito dolorido, e o bico retraiu, no início não
considerei nada demais, pois estava amamentando meu filho mais novo que na
época tinha acabado de completar 1 aninho. Mas apesar de parecer uma simples
mastite não era.
Você foi diagnosticada com um tipo raro de
câncer e pouco conhecido. O câncer de mama inflamatório. Como foi receber este
diagnóstico, sabendo então que ele era menos conhecido pelas pessoas?
R:
Deus colocou no meu caminho ótimos médicos, quando vi que a “mastite” não
estava diminuindo fui procurar uma mastologista ( medico especialista em mama),
assim que ela começou a examinar meu seio já fez uma carinha de preocupação e
me disse que daria prosseguimento ao tratamento de mastite que o ginecologista
começou, agora com antibióticos, mas que investigaria mais a fundo pois não
parecia ser mastite e sim uma coisa um pouco pior, ali eu já entendi que era
câncer e comecei a pesquisar e fui lendo sobre esse tipo que era o mais
parecido com o meu.
Duas
semanas depois tive o diagnóstico da parte da médica como câncer de mama
inflamatório. Receber essa notícia me trouxe de imediato a pergunta “por que”,
mas em seguida passei a pensar em “para que”. Eu tenho momentos, é claro que já
chorei, é claro que tive medo, não do andar da doença, mas de não criar meus
filhos (sou muito controladora), mas a maioria dos momentos me mantém bem e feliz.
Feliz de verdade, pode-se dizer que o câncer fez lembrar-se de coisas que
apaguei, dar valor não ao preço, mas ao significado, de estar mais presente.
Sei o quanto estudou este tipo de câncer.
Explique para os leitores quais as diferenças entre o câncer de mama
inflamatório e o câncer de mama já conhecido pelo público?
R: Um
câncer de mama no seu normal se apresenta com um carocinho, você se auto
examina, sente e procura o médico, no inflamatório todo o seu seio muda, e você
não consegue identificar o caroço, pois o seio fica grande e bem inflamado, um
sinal também é o bico do seio entrar.
Pela
agressividade do câncer de mama inflamatório ele pode gerar metástase de 3 a 6
meses, isso é preocupante, a taxa de sobrevivência também é baixa, apenas 30%.
Outra
barreira nesse tipo é que, por atingir mulheres em qualquer idade, na maioria
das vezes muito novas (vi meninas com 16, 24, eu mesma tenho 30), o diagnóstico
é tardio, pois a mamografia nessa idade não é liberada de imediato.
E existem outros tipos de câncer raros, que
deveriam ser mais divulgados.
Sabemos o quanto é importante a doação de
sangue e o quanto número de doações é pequena. Visto a quantidade da população.
Recentemente você passou por uma cirurgia, e
precisou de doações de sangue. Desta maneira, é a pessoa ideal para fazer esta
pergunta. O que falta para conscientizar as pessoas da importância da doação de
sangue?
R: Graças a Deus houve doações quando internei
para operar, mas eu não precisei.
O que
falta? Falta humanidade! Falta pensar mais no próximo.
Doar
sangue é um ato de amor, é mandamento bíblico “ amai ao próximo como a ti
mesmo”, é caridade, é o que você quiser que seja e bom independente da religião
que segue.
É nossa obrigação como ser humano defender
nossa espécie, isso é uma forma de cuidado e defesa!
E vou mais além, medula óssea, quantas pessoas
na fila, e quantas pessoas que poderiam estar cadastradas no banco para doar,
tanto mito sobre, e pouca informação de verdade.
Não
tem como dar errado a doação de medula, o risco é mínimo, às vezes nem precisa
ser da coluna. Enfim, precisamos amar, precisamos pensar que se temos medo,
mais medo tem quem esta em filas precisando, são tantas crianças, tantos bebês.
Em meio ao tratamento, sei que nada é fácil.
Como manter o otimismo?
Esta pergunta é importante, muitas pessoas amam
reclamar de tudo, enquanto muitos lutam, mas com um sorriso no rosto, e
encorajando outros a viverem.
R: Damos muito valor ao câncer (ele não merece
tudo isso), o tratamento é difícil sim, mas tem “N” doenças que na minha
opinião são piores e não valorizadas, é o caso do diabetes que se não houver
mudança de estilo de vida, cortar açúcar, pode levar a morte, e no meio do
caminho cega, é dolorido.
O
câncer é uma mutação nas nossas células, o maior problema é que ninguém pensa
em tratar a causa, somente em eliminar a consequência.
Quando
você entende que para morrer basta estar vivo, que andar na rua é risco, quando
você entende que estar vivo, acordar todo dia é um milagre, você entende que
não tem doença no mundo que pode tirar sua alegria de viver, independente de
como é preciso aproveitar cada momento.
Qual a importância da família e amigos em meio
o tratamento?
Nossa,
tem grande importância, dividir cada coisa, dividir medos, receber apoio.
No início tive medo de não me reconhecer
careca, do meu “namorido” não se sentir bem de me ver assim, de como ele me
olharia, e eu gosto de conversar sobre tudo isso com ele.
Nessa
primeira conversa eu questionei: como seria, vou perder cabelo, sobrancelha.
Ele disse: Vai ficar com uma cara de dedo, qual o problema?
Ri
muito e entendi que, não é a embalagem, é o interior, é o amor que une e supera
tudo.
Ver
meus filhos me reconhecerem após raspar a cabeça também me deu mais calma. Ter
amigos e continuar aproveitando tudo. Não ter mudado meu ritmo de vida social
fez muita diferença.
A situação do nosso país é desesperadora em
várias áreas. A área da saúde é uma precariedade.
Qual a sua visão em relação a isto e qual
atitude acha que nossos políticos deveriam tomar?
R: Vou falar mais uma vez sobre humanidade,
nossos políticos, nosso povo, nós, não somos humanos, perdemos isso ao longo do
caminho.
Nossos
políticos só pensam cada dia mais dinheiro, o sistema de saúde está um caos,
isso só vai mudar quando houver uma grande reforma, e essa reforma tem que
começar em cada um de nós. Precisamos entender que nada nos diferencia deles,
que quando fazemos um gato, ou ficamos com o troco, ou furamos fila, estamos
tão errados quanto quem rouba milhões, é só uma questão de oportunidade, pois a
falta de ética é igual.
Precisamos
mudar e cobrar a mudança, não são os políticos que mandam no país, nós os
escolhemos, nós temos o direito de cobrar se o serviço não é bem prestado, eles
nos representam e se essa representação não condiz com o que somos, temos o
direito de tirá-lo e colocar outro.
Se
ainda existe algum vereador, deputado, prefeito, governador que quer fazer
diferença a hora já passou, faça agora!
Comece
diminuindo esses salários absurdos, esses benefícios surreais, vamos receber a
média de salário do brasileiro? Só que não né? Quem sabe.
Qual seu maior sonho?
R: Ver
o país com segurança. Educação de qualidade, saúde.
Deixar
isso para meus filhos. Deixar um mundo de mais amor, não do jeito que está
hoje.
Para
finalizar deixe sua mensagem a todos os leitores.
R: Viver é um privilégio, viver
bem independente de classe social, é uma obrigação, um ato de agradecimento por
estar vivo.
Seja feliz sempre, e quando desanimar lembre
de tudo que te faz feliz!!!
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Para conhecer sobre o trabalho da Amanda na divulgação do Câncer de mama inflamatório, acesse os links abaixo:
Página da Amanda Barbosa, clique aqui.
Página Câncer de Mama Inflamatório, clique aqui.
Para acessar o site da Amanda, clique aqui.
Obrigada pela oportunidade, esse espaço é lindo!!!
ResponderExcluirParabéns Amanda por essa luta essa garra e todo esse esclarecimento que você está dando, que Deus continue abençoando você seus filhos e sua família. Tenho orgulho de dizer que sou seu amigo e que conheço a mulher guerreira e o exemplo de vida que você é.
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