terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

AIDS: Entrevista com a profissional da saúde; Evandra Zarbin.

Em 1977 e 1978, surgiram os primeiros casos de AIDS no Haiti, EUA e África Central.
No ano de 1980, o primeiro caso no Brasil.
Muitas pessoas, ainda nos tempos de hoje, não conhecem informações importantes sobre a doença.
Pensando nisso, eu convidei uma grande profissional da saúde para esclarecer tudo sobre o assunto.

Curtam essa entrevista maravilhosa com Evandra Zarbin.
Evandra é enfermeira e extremamente capacitada para está entrevista.

Evandra Zarbin. 

O que é Aids?
É a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida que é causada pelo vírus HIV, é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico, as células de defesa do nosso corpo, deixando o organismo mais vulnerável a diversas doenças.
Ter o HIV não é a mesma coisa que ter AIDS. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas podem transmitir o vírus pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação.
Por isso é sempre bom se proteger em todas as situações e fazer o teste para o diagnóstico precoce.

Porque as contaminações aumentam no período de carnaval?
Isso é um mito, a contaminação não aumenta neste período, devido à intensificação das campanhas pré-carnavalescas.

Existem grupos de risco maiores que outros?
Atualmente essa distinção não existe mais. No começo da epidemia, pelo fato do maior número de contaminação ser entre os homossexuais, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos eram sim considerados grupo de risco.
Nos dias de hoje fala-se em comportamento de risco, pois a contaminação se espalhou em geral, não mais se concentrando nos grupos anteriores, a contaminação entre os heterossexuais aumentou, principalmente no sexo feminino.
Comportamento de risco seriam as relações sexuais homo ou hetero com pessoas infectadas sem o uso de preservativos, compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente, no uso de drogas injetáveis, a reutilização de objetos perfuro cortantes com a presença de sangue e fluídos contaminados pelo HIV.

Mulheres teriam maior facilidade em serem contaminadas?
Na relação hetero entre parceiros discordantes existe mais probabilidade de a mulher soronegativa ser contaminada por parceiro soropositivo do que ao contrário. A proporção entre homens e mulheres é de aproximadamente 2:1 e a maioria delas são casadas e monogâmicas, o marido se contamina em relações extraconjugal e, depois transmite a doença para a esposa.

Quando um paciente chega até vocês, e descobre que tem AIDS; quais costumam ser suas reações? E qual a conversa do profissional da saúde com o paciente, após a descoberta?

O momento da revelação do diagnóstico é de fundamental importância para o paciente. Neste momento uma nova realidade será inserida em sua vida. Portanto, a forma de comunicação e o estado emocional do paciente, anterior à realização do exame, podem ínfluenciar em sua reação frente ao resultado. Inicialmente, deve-se verificar junto ao paciente quais as circunstâncias da realização do exame e as suas expectativas relativas ao teste. Estes dados podem facilitar a tarefa da equipe, favorecendo a percepção do estado do paciente e alertando para as possíveis respostas. Mesmo durante o período de espera do exame muitos sentimentos são despertados, dentre eles: ansiedade; medo; angústia; fantasias; crenças e valores acerca do resultado, da infecção pelo HIV e da própria morte. Todos estes sentimentos são intensificados no momento do diagnóstico. O profissional deve, portanto, estar atento ao estado emocional do paciente durante e após a comunicação. É importante possibilitar a construção de uma relação de ajuda no contato com o paciente, servindo de continência para suas angústias e respeitando suas peculiaridades. O acompanhamento psicológico pode ser necessário após a comunicação do diagnóstico, eventualmente até mesmo desde o momento da solicitação do exame. Deve-se, sempre que possível, discutir esta possibilidade com o paciente, oferecendo-lhe a oportunidade de um seguimento psicológico. A informação do resultado deve ser precisa, deixando sempre claro se é confirmado ou inconclusivo, principalmente se há necessidade de repetição de exame, devido ao período de janela biológica. Desta forma, são evitadas dúvidas ou expectativas relacionadas a um novo teste. As informações que o paciente possui sobre a infecção pelo HIV/AIDS também são de fundamental importância. Deve-se averiguar se são corretas, dando-lhe as orientações necessárias e enfatizando sobre as possibilidades de tratamento e de controle da doença. Assim pode-se tentar desmistificar a associação frequente entre diagnóstico, doença e morte. Sabe-se, contudo, que estas orientações nem sempre são assimiladas completamente pelo paciente, sendo muitas vezes retomadas em outros atendimentos de aconselhamento. Entretanto, é imprescindível para alguns pacientes ouvir várias vezes sobre estas questões, eventualmente de diferentes profissionais de saúde, com o fim de facilitar seu entendimento. Vale ressaltar que o processo de comunicação do diagnóstico pode também influenciar na aderência do indivíduo ao tratamento. Nota-se até que alguns pacientes só conseguem retomar ao seguimento médico após algum tempo ou após o aparecimento dos primeiros sintomas. Uma vez tomados todos estes cuidados, a informação do diagnóstico poderá ter um menor impacto para o paciente, favorecendo a aderência e o processo terapêutico precocemente.

A vida de uma pessoa com AIDS é “normal”, ou existem restrições?
O Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente 16 tipos de diferentes antirretrovirais na rede pública de saúde. Esses medicamentos são responsáveis para evitar a multiplicação desse vírus, além também de adiar ao máximo os indícios e os sintomas da doença.
Por conta disso, o paciente com o diagnóstico positivo dos dias de hoje, vive uma vida totalmente normal – se não fosse pela discriminação petrificada que ainda cerca a sociedade.
 A vida do paciente, após o surgimento do coquetel, não tem praticamente nenhuma restrição, mas manter uma vida regrada, no que diz respeito hábitos de vida saudáveis hoje são essenciais.


Mensagem para que as pessoas se previnam.

“Quem Vê cara, não Vê AIDS”
O melhor remédio é a prevenção e o diagnóstico e tratamento precoce !!!!
Procure o Centro de Testagem e Aconselhamento “Doriel Gonçalves” no Centro de Saúde e tire sua dúvida, o diagnóstico e tratamento precoce aumenta a chance de retardar as doenças oportunistas e assim o desenvolvimento da AIDS.
Há distribuição gratuita de preservativos femininos e masculinos e de gel lubrificante nas Unidades de saúde.

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Eu agradeço a disponibilidade, atenção e entrega da Evandra.
Sei o quanto sua vida é corrida, e mesmo assim, aceitou o desafio da entrevista.

Espero muito que está matéria sirva para auxiliar aos que foram diagnosticado com a doença e que sirva de aprendizado para que todos se previnam.
Vamos lembrar, a palavra PREVENÇÃO na verdadeira significa AMAR A VIDA.

Di Antunes.

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