terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Entenda o parto humanizado.

O que é Parto Humanizado?
Imagem do google.


Uma importante questão a ser esclarecida é que o termo "Parto humanizado" não pode ser entendido como um "tipo de parto", onde alguns detalhes externos o definem como tal, como o uso da água ou a posição, a intensidade da luz, a presença do acompanhante ou qualquer outra variável. A Humanização do parto é um processo e não um produto que nos é entregue pronto.

Acredito que estamos a caminho de tornar cada vez mais humano este processo, isto é, tornar cada vez mais consciente a importância de um processo que para a humanidade sempre foi instintivo e natural e que por algumas décadas tentamos interferir mecanicamente, ao hospitalizarmos o nascimento e querer enquadrar e mecanizar em um formato único as mulheres e o evento parto.

O termo “humanização” carrega em si interpretações diversas. A qualidade de “humano” em nossa cultura quase sempre se refere à ideia arraigada na moral cristã de ser bom, dócil, empático, amável e de ajudar o próximo. Nesse contexto, retirar a mulher de seu “sofrimento” e “acelerar” o parto através de medicações e de manobras técnicas ou cirúrgicas e é uma tarefa nobre da medicina obstétrica e assim vem sendo cumprida.

Mas há um porém neste tipo de intervenção. Um olhar mais atento na prática atual da assistência ao parto revela uma enorme contradição entre as intervenções técnicas ou cirúrgicas e as suas consequências no processo fisiológico do parto e na saúde física e emocional da mãe e do bebê. Um olhar ainda mais atento nos processos culturais, emocionais, psíquicos e espirituais envolvidos no parto revelam novos e norteadores horizontes, tal qual a importância, para mãe e filho, de vivenciar integralmente a experiência do parto natural.

A qualidade de humano que se quer aqui revelar envolve os processos inerentes ao ser humano, os processos pertinentes ao ciclo vital e a gama de sentimentos e transformações que a acompanham. O processo de nascimento, as passagens para a vida adolescente e adulta, a vivência da gravidez, do parto, da maternidade, da dor, da morte e da separação são experiências que inevitavelmente acompanham a existência humana e por isso devem ser consideradas e respeitadas no desenrolar de um evento natural e completo como é o parto. Muitas e muitas mulheres ao relatarem seus partos via cesariana mostram a frustração de não terem parido naturalmente, com as próprias forças, os seus filhos. Querem e precisam vivenciar o nascimento de seus filhos de forma ativa, participativa, inteira. Viver os processos naturais e humanos por inteiro muitas vezes envolve dor, incômodo, conflito, medo. Mas são estes mesmo os “portais” para a transição, para o crescimento, para o desenvolvimento e amadurecimento humano.

A humanização proposta pela ‘humanização do parto’ entende a gestação e o parto como eventos fisiológicos perfeitos (onde apenas 15 a 20% das gestantes apresentam adoecimento neste período necessitando cuidados especiais), cabendo a obstetrícia apenas acompanhar o processo e não interferir buscando ‘aperfeiçoá-lo’.

Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha.
Eleonora de Moraes
Idealizadora do Despertar do Parto,
Psicóloga, Doula e Mãe de 3 filhos.
Diferenças do parto normal e o humanizado.
Veja no quadro abaixo algumas das principais diferenças entre o parto normal hospitalar padrão e o parto humanizado.
Normal
Humanizado
Pré-natal
Em geral, limita-se a avaliar a saúde física da mulher e do bebê. Aspectos emocionais da gestação ficam em segundo plano. Fala-se pouco de parto.
Avalia a saúde física da mulher, incluindo todos os exames recomendados pela OMS, e também dá grande ênfase ao preparo emocional da mulher para o parto e a maternidade.
Início do trabalho de parto
Dificilmente permite-se que a gestação ultrapasse 40 semanas. Quando atinge esse “limite”, a mulher é internada para a indução do parto com medicamentos ou vai para a cesárea porque “passou da data”.
Costuma ser espontâneo, ainda que o tempo de gestação ultrapasse as 40 semanas (com consultas e exames mais frequentes após 41 semanas).
Ruptura da bolsa
Em geral é provocada pelo médico, com uma espécie de agulha, para acelerar o trabalho de parto.
Costuma acontecer naturalmente, de forma espontânea, ao longo do trabalho de parto.
Duração do trabalho de parto
É acelerada com ocitocina sintética (hormônio), que intensifica as contrações.
Respeita-se o ritmo natural do nascimento, que varia muito de um parto para o outro.
Posição durante o trabalho de parto
Deitada na cama, de barriga para cima. Um cinta presa na barriga da mulher e ligada a um aparelho (cardiotocografia) monitora as contrações e os batimentos cardíacos do bebê.
A mulher tem liberdade para escolher e alternar posições. Pode sentar na bola de parto, deitar na banheira, ficar de quatro sobre cama, acocorar-se nas contrações etc. Mais sobre posições para o parto, aqui.
Anestesia
No atendimento particular, é um procedimento de rotina (para todas as mulheres, ao atingirem um determinado estágio de dilatação). No serviço público, não está disponível tão facilmente.
É uma escolha da mulher, que é incentivada a dar preferência a métodos naturais de alívio da dor, como massagens, banhos mornos e o suporte físico e emocional de uma doula (acompanhante de parto). Quando a mulher decide pelo alívio medicamentoso, é feita uma analgesia, que tira a dor, mas não os movimentos.Mais sobre analgesia, aqui.
Local
Hospital (sala de parto ou centro cirúrgico).
Hospital (suíte de parto normal, com chuveiro, banheira e bola de parto), em casa de partos ou em casa (apenas para gestantes de baixo risco).
Episiotomia (corte no períneo)
Procedimento de rotina, feito em praticamente todos os partos normais.
Realizada raramente, apenas se absolutamente necessário. Mais sobre episiotomia e preparação perineal para o parto, aqui.
Contato com o bebê após o nascimento
O cordão umbilical é cortado imediatamente, o bebê é mostrado para a mãe e levado pelo pediatra para uma série de exames e intervenções, como a aspiração das vias aéreas superiores e a aplicação de colírio de nitrato de prata.
Se o bebê nasce bem (o que é o caso da maioria), a prioridade do pediatra é garantir o contato pele a pele do recém-nascido com a mãe. O bebê é apenas enxugado e coberto com panos macios, no colo da mãe. São oferecidas todas as condições para que ocorra a amamentação na primeira hora de vida. A aspiração é feita apenas se for realmente necessário. O cordão é cortado só depois que para de pulsar. Mais sobre atendimento humanizado ao recém-nascido, aqui.
Participação da mulher
A gestante tem uma posição passiva diante do processo do parto. É considerada uma “paciente” e, como tal, é esperado que aceite as decisões do médico, que é quem está de fato no comando da situação.
Compartilha a tomada de decisões com a equipe responsável pela assistência ao parto, que pode contar com médico ou parteira (enfermeira obstetra ou obstetriz). No segundo caso, o obstetra fica na retaguarda e é acionado apenas se necessário.


Depoimento de Débora Montalvão sobre parto humanizado.

Quando descobri minha gravidez, meu coração foi tomado por uma imensa alegria. Porém, no segundo momento, fiquei extremamente amedrontada. Tinha medo da cesária e muito mais do parto normal, mas como o bebê teria que "sair" de algum jeito, seria através de uma cesariana, claro! Sou de uma família com índice de 100% cesárias.
Quando completei o quarto mês de gestação, uma amiga me falou de um tal de "parto humanizado" e de um documentário muito interessante sobre o assunto, "o renascimento do parto". Foi a partir dai que mudei a minha opinião.
Queria ter a experiência do parto normal. Obvio que com anestesia, afinal, eu não iria suportar as dores. Parto normal sim, o tal de humanizado jamais. Pensava que isso era coisa de gente rica. Estava tudo planejado na minha cabeça. Mas é como diz o ditado, "o homem planeja e Deus ri".
Quando eu estava com sete meses de gestação, tive que me mudar de cidade e consequentemente de médica. Fiquei desesperada, mas Deus já estava trabalhando. Encontrei uma clinica com toda uma equipe especializada em parto humanizado. Mais uma vez mudei minha opinião.
Descobri o real significado desse tipo de parto. Respeitar a mulher e deixar que ela seja a protagonista do parto, que ela tenha total controle sobre o que será feito em seu próprio corpo e que ela decida como e onde quer parir.
Queria viver essa experiência, sentir as dores, trazer uma vida ao mundo através das minhas forças. Sou mulher e queria-me sentir completa.
Sim, eu era capaz. E eu não dava atenção a ninguém que me dissesse o contrário. E muitos disseram. Mas eu consegui. Com a graça de Deus e a ajuda da minha médica, Dr. Paula, minha doula Mônica, a enfermeira Ana, o pediatra Dr. Jaime, minha comadre e amiga Josi e meu marido Túlio. Eles foram tudo pra mim.
Ficaram o tempo todo ao meu lado me incentivando e encorajando. Respeitaram-me todo o tempo, fizeram tudo como eu queria, a luz baixa, a música tranquila, a posição em que eu me sentia mais confortável.. Foram 13 horas de trabalho de parto, sem episiotomia, sem analgesia e sem ir pro centro cirúrgico.
Foi doloroso, muito doloroso, mas foi incrível. Meu filho veio ao mundo da maneira mais natural e linda possível.
Débora no parto do seu filho João Lucas.


Nasceu e veio pros meus braços, pro meu seio, para ser amamentado no primeiro minuto de vida. Hoje posso dizer que sou outra mulher. Uma mulher mais confiante, mais corajosa sou mãe! Somos mulheres, nascemos para parir e sabemos parir. Somos capazes!
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Hoje o Brasil é o campeão em cesarianas no mundo. Com um número 3 vezes maior que o recomendado.
Em 90% das vezes, as mulheres não precisam da cesária.
No parto normal, quando o bebê passa pelo canal vaginal, seu tórax é comprimido, e isto faz com que o líquido amniótico saia, fazendo com que naturalmente o ar entre. Quando isso não acontece, o bebê recebe oxigênio artificial e precisa ser entubado. Aumentando os riscos de doenças respiratórias.
Além dos riscos ao bebê, a cesária aumenta as chances de riscos materno.
A cesária também aumenta os riscos de complicações da próxima gravidez.

Existem casos que a cesária é a melhor opção, mas isso apenas o seu médico vai saber.

Estes dados, foram colhidos do site da clínica Renato Kalil. 

Tenho a plena certeza que está matéria foi esclarecedora.
Deixe que seu filho escolha quando ele está pronto para vir ao mundo.
Inicie este contato de amor com base no respeito.
Vamos desmitificar tudo envolto ao parto normal e ao parto humanizado.

Di Antunes


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