terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Lição de vida: Bruno Antevelly.

Prestes a completar 3 anos do acidente que fez com que perdesse uma de suas pernas, ele respira alegria, e inspira vontade de viver.
Com um imenso prazer, eu apresento a vocês Bruno Antevelly, o meu segundo entrevistado do especial "Lição de Vida".


Bruno, para que as pessoas tomem conhecimento. Explique como ocorreu o acidente? Como foi este dia?

 Bom, eu estava indo para o trabalho de moto, era 6:30 da manhã quando um carro foi ultrapassar um caminhão e um ônibus em um local proibido e bateu de frente comigo. A condutora tentou fugir e o carro dela acabou quebrando então ela ficou uns 100 metros de onde foi o acidente, e mesmo sendo enfermeira ela em momento algum prestou socorro, nem após o acidente, nem nos meses de internação. Devido à gravidade das fraturas e infecção que contrai após eu tive a minha perna esquerda amputada e perdi a força e um pouco dos movimentos do braço.


 O que sentiu quando soube que teria que amputar uma de suas pernas?

Devido à demora no socorro e complicações que vieram após, minha perna esquerda teve infecção, e os médicos passaram meses tentando salva-la, mas no fundo eu já sentia que era em vão. Parece estranho, mas a amputação para mim foi um alivio, eu não aguentava mais ficar internado. Como não havia mais o que fazer, eu aceitei a amputação como uma missão talvez, um propósito de Deus, e é por este proposito que me mantenho de pé.

 O que mais marcou sua vida em todo este processo?
Olhar para mim naquele hospital e ver que não sou (não somos) nada. Isso me marca até hoje, creio que positivamente rsrs.
Sua maneira de pensar, de enxergar a vida mudou muito após o acidente?
Muito, talvez hoje eu dê mais valor a coisas simples da vida, eu tinha uma vida muito agitada, corrida e a amputação fez eu parar e “andar devagar”, hoje eu consigo agir com calma, valorizar momentos, ignorar coisas e situações que me fazem mal. Como disse acima, hoje vivo feliz por um proposito.
Como foi para sua família passar por tudo isso? Mudou alguma coisa na sua relação com eles?
Muito, eu tinha uma convivência bacana com minha mãe e meu padrasto, e após o ocorrido nos aproximamos mais ainda. Meu medo era a reação da minha mãe, eu não queria ver ela triste, muitas vezes eu me fazia de bem, de feliz para não deixa-la mais triste ainda.
Em relação a causadora do acidente. Qual o seu sentimento por ela? Se pudesse falar algo para ela, o que diria?
 Eu hoje tenho pena, é uma pessoa fraca que não conseguiu enfrentar a situação e mesmo após quase três anos ainda omite sua responsabilidade. Se eu pudesse dizer algo hoje seria: eu não tenho ódio e nem raiva de você, e confio na justiça divina.

Você é muito bem humorado. Pesquisei e vi que até mesmo quando estava no hospital, nunca deixou de brincar em suas redes sociais. O teu sorriso hoje, tem qual significado?
Sim, é uma força que só pode vir de Deus, eu muitas vezes paro para pensar e me assusto quando olho para trás e vejo que passei por tudo isso e venci. Minha alegria vem do Senhor, e tento passar um pouco dessa alegria, dessa esperança para as pessoas, é uma forma de retribuir o apoio que minha família e meus amigos me deram quando eu mais precise.

 Mês de natal todos fazem análises de suas vidas. Qual o seu maior conselho para todos que estão lendo está entrevista?

 Natal pra mim é um momento de esperança, onde marca o nascimento daquele que veio para salvar a humanidade. A esperança nasceu em um local inimaginável onde ninguém esperava, e que nós possamos ter esperanças na humanidade, ter esperanças em nós mesmos acreditando que é possível e que nós podemos mudar o mundo começando pelo nosso mundo. Quando eu recebi a notícia que não tinha mais nada a fazer eu em prantos olhei para a minha mãe e disse que eu aceitava a vontade de Deus. E aceitaria tudo aquilo como um proposito, uma missão. Após receber alta, eu decidi buscar ajuda na internet, com pessoas que haviam passado pelo processo de amputação, eu não sabia o que estava acontecendo, para mim tudo era novo, e após eu decidi compartilhar meu processo de reabilitação para que pessoas que passassem pela mesma situação pudessem ver que não estavam sozinhas e também ser uma forma de tirar dúvidas e ver que é possível ter uma vida normal mesmo após a tragédia. Hoje eu estou reabilitado, voltei a trabalhar, terminei a faculdade, ando de bicicleta, pulo cordas, caminho, danço, tenho minha vida de volta, e o segredo sem dúvidas é a perseverança, nunca deixar que os obstáculos te abatam.

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