
Com um imenso prazer, eu apresento a vocês Bruno Antevelly, o meu segundo entrevistado do especial "Lição de Vida".
Bruno, para que as pessoas tomem
conhecimento. Explique como ocorreu o acidente? Como foi este dia?
Bom, eu estava indo para o trabalho de moto,
era 6:30 da manhã quando um carro foi ultrapassar um caminhão e um ônibus em um
local proibido e bateu de frente comigo. A condutora tentou fugir e o carro
dela acabou quebrando então ela ficou uns 100 metros de onde foi o acidente, e
mesmo sendo enfermeira ela em momento algum prestou socorro, nem após o
acidente, nem nos meses de internação. Devido à gravidade das fraturas e
infecção que contrai após eu tive a minha perna esquerda amputada e perdi a
força e um pouco dos movimentos do braço.
O que sentiu quando soube que teria que
amputar uma de suas pernas?
Devido
à demora no socorro e complicações que vieram após, minha perna esquerda teve
infecção, e os médicos passaram meses tentando salva-la, mas no fundo eu já
sentia que era em vão. Parece estranho, mas a amputação para mim foi um alivio,
eu não aguentava mais ficar internado. Como não havia mais o que fazer, eu
aceitei a amputação como uma missão talvez, um propósito de Deus, e é por este
proposito que me mantenho de pé.
O
que mais marcou sua vida em todo este processo?
Olhar
para mim naquele hospital e ver que não sou (não somos) nada. Isso me marca até
hoje, creio que positivamente rsrs.
Sua maneira de pensar, de enxergar a
vida mudou muito após o acidente?
Muito,
talvez hoje eu dê mais valor a coisas simples da vida, eu tinha uma vida muito
agitada, corrida e a amputação fez eu parar e “andar devagar”, hoje eu consigo
agir com calma, valorizar momentos, ignorar coisas e situações que me fazem
mal. Como disse acima, hoje vivo feliz por um proposito.
Como foi para sua família passar por
tudo isso? Mudou alguma coisa na sua relação com eles?
Muito,
eu tinha uma convivência bacana com minha mãe e meu padrasto, e após o ocorrido
nos aproximamos mais ainda. Meu medo era a reação da minha mãe, eu não queria
ver ela triste, muitas vezes eu me fazia de bem, de feliz para não deixa-la
mais triste ainda.
Em relação a causadora do acidente.
Qual o seu sentimento por ela? Se pudesse falar algo para ela, o que diria?
Eu hoje tenho pena, é uma pessoa fraca que não
conseguiu enfrentar a situação e mesmo após quase três anos ainda omite sua
responsabilidade. Se eu pudesse dizer algo hoje seria: eu não tenho ódio e nem
raiva de você, e confio na justiça divina.
Você é muito bem humorado. Pesquisei e vi que até mesmo quando estava no hospital, nunca deixou de brincar em suas redes sociais. O teu sorriso hoje, tem qual significado?
Você é muito bem humorado. Pesquisei e vi que até mesmo quando estava no hospital, nunca deixou de brincar em suas redes sociais. O teu sorriso hoje, tem qual significado?
Sim,
é uma força que só pode vir de Deus, eu muitas vezes paro para pensar e me
assusto quando olho para trás e vejo que passei por tudo isso e venci. Minha
alegria vem do Senhor, e tento passar um pouco dessa alegria, dessa esperança
para as pessoas, é uma forma de retribuir o apoio que minha família e meus
amigos me deram quando eu mais precise.
Mês
de natal todos fazem análises de suas vidas. Qual o seu maior conselho para
todos que estão lendo está entrevista?
Natal pra mim é um momento de esperança, onde
marca o nascimento daquele que veio para salvar a humanidade. A esperança
nasceu em um local inimaginável onde ninguém esperava, e que nós possamos ter
esperanças na humanidade, ter esperanças em nós mesmos acreditando que é
possível e que nós podemos mudar o mundo começando pelo nosso mundo. Quando eu
recebi a notícia que não tinha mais nada a fazer eu em prantos olhei para a
minha mãe e disse que eu aceitava a vontade de Deus. E aceitaria tudo aquilo
como um proposito, uma missão. Após receber alta, eu decidi buscar ajuda na
internet, com pessoas que haviam passado pelo processo de amputação, eu não
sabia o que estava acontecendo, para mim tudo era novo, e após eu decidi
compartilhar meu processo de reabilitação para que pessoas que passassem pela
mesma situação pudessem ver que não estavam sozinhas e também ser uma forma de
tirar dúvidas e ver que é possível ter uma vida normal mesmo após a tragédia.
Hoje eu estou reabilitado, voltei a trabalhar, terminei a faculdade, ando de
bicicleta, pulo cordas, caminho, danço, tenho minha vida de volta, e o segredo
sem dúvidas é a perseverança, nunca deixar que os obstáculos te abatam.
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